


“Até n’eu” mesmo, literalmente. Por exemplo, o Estádio João Rebelo, campo do Ateneu, que se encontra praticamente abandonado. O placar do Estádio no dia 09 de setembro de 2003 pode explicar a situação do time. Com o patrocínio da Drogaria Minas-Brasil, , o placar marca: Ateneu 0 x 1 ______. Não tem nenhum nome. É como se a derrota do time atenense não tivesse sujeito. Ninguém se responsabiliza pelo que acontece com o clube. A história do Ateneu parece morrer passivamente.
No livro "Montes Claros - sua história, sua gente, seus costumes", de Hermes Augusto de Paula, edição de 1979, é retratado o descaso com o futebol montes-clarense. “O futebol de Montes Claros não está acompanhando o mesmo ritmo de crescimento da cidade. Verdadeiramente, não houve evolução, em se comparando ao futebol que era praticado no tempo do campinho do União”.
O autor se refere ao campo do União Esporte, um dos 13 clubes que disputavam à época o Campeonato Amador de Montes Claros. Ele cita também o projeto de construção do Estádio Municipal. “Já existe plano para a construção de um Estádio Municipal, que já é chamado de Mocão. Este estádio deverá ser construído em terreno que se localiza no Bairro Delfino Magalhães”.
Fundação
Quando, em 14 de agosto de 1936, “reuniram-se no Poço de Antônio dos Anjos, no rio Vieira, vários rapazes amantes do esporte”, escreve Hermes Augusto de Paula, é fundada a Associação Atlética Ateneu, que chega a contar com mais de duzentos sócios, como Joaquim Soares da Silva, Antônio Lafetá Rebelo e Marcelo Flora. “(...) associados de ambos os sexos, todos entusiasmados, não somente com o esporte (basquete, futebol, vôlei, tênis, etc), como também pelo atletismo”, complementa De Paula.
Hoje, a situação é outra. O Estádio João Rebelo possui 200 cadeiras cativas, porém o Ateneu conta basicamente com ajuda de um sócio cativo, Geraldo Brant, como revela Júnior Borges, há três anos responsável pelas categorias de base do clube. “Então, quanto às colaborações, aos patrocínios não são todos. Não vou dizer são todos. São nenhum deles. Só um mesmo atuando e apoiando as categorias de base, que é o Geraldo Brant. Tem mais de dez anos que ele está no comando”.
Treinamento
De terça a sexta-feira, a Associação Desportiva Ateneu trabalha as divisões de base pré-mirim, mirim, infantil e juvenil, ou seja, prepara jogadores de futebol até os 16 anos de idade. E depois disso? “É até crítico dizer isso aqui. Montes Claros é problemático nessa situação de categorias, porque os meninos, quando chegam aos 16 anos, infelizmente, não têm aquela estruturação para manter uma categoria e dar sequência ao trabalho. O menino já sai da categoria juvenil, vai para os juniores e dos juniores sobe para o profissional. Mesmo porque não tem o profissional”, explica Borges.
O preparador de goleiros do Ateneu, Fábio Ramos, também concorda que há um certo desleixo com o clube. “Está muito humilhante o que está acontecendo com o nome do Ateneu, que é um grande clube hoje dentro de Montes Claros, mas é considerado pequeno, praticamente, por muitas pessoas da cidade, em função desse descaso que ocorre”. Segundo Ramos, a motivação, que ele passa aos jovens goleiros, é a grande superação que seus companheiros lhe passam dentro e fora de campo. E quanto à revelação de um bom goleiro... “Ainda não, porque comecei a trabalhar aqui no Ateneu só faz sete meses, mas estamos com um goleiro que veio do América, ficou dois anos lá, e o treinamos para, se acontecer alguma eventualidade, ele ir para fora novamente”.
Jogador esperançoso
Há quatro anos no Ateneu, Márcio Luiz Jesus Nunes, 16 anos, considera a estrutura do clube uma das melhores da região. “O que me fez treinar aqui é a estrutura que o Ateneu tem. Pelo menos eu acho o melhor clube que tem no Norte de Minas. Treinando, posso chegar algum dia a algum lugar, que é todo sonho de qualquer jogador”. Para ele, que é jogador de futebol desde moleque, o principal dirigente do clube, Geraldo Brant, oferece uma boa estrutura. No entanto, com o descrédito da população e da Prefeitura, fica difícil a situação melhorar. “A população da cidade não apoia o necessário. Para a grandeza de Montes Claros, a gente mereceria um time profissional que dispute campeonatos todos os anos”, reivindica. E logo completa. “A Prefeitura tinha que está ajudando mais. Passando verbas para o clube, porque, além do mais, a equipe de base é campeã internacional em Nanuque. Jairo conversou com a gente, falou que ia nos ajudar, mas, até agora, Seu Brant está esperando a verba chegar”.
Torcer e torcer
Enquanto esperava o término do treino do seu filho, Ernesto Antunes, morador do bairro Ipiranga, via das arquibancadas do Estádio João Rebelo o contexto em que o Ateneu se encontrava. Falta de verbas, campo ruim e, sobretudo, pouco apoio do povo. Há anos Antunes não vinha ao estádio. Contudo, depois que vem, encontra o campo maltratado e o time também. “Atualmente, a Prefeitura não dá motivação para os montes-clarenses virem aos estádios, mas tempos atrás, uns cinco anos, quando tínhamos o próprio Ateneu disputando a Terceira Divisão Mineira e o time do Montes Claros, que teve boa participação na Primeira Divisão em 1997, víamos os estádios sempre cheios, inclusive este aqui. As pessoas não comparecem, mas, pelas reportagens que vejo, o campeonato da liga varzeana tem um público razoável. Porém, em nível de partir para um profissionalismo, não tem muito incentivo”, opina.
JANELAS SEM ALMA




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